Sociedade – Família – Grupo

Uma relação forte com identidade

A Sociedade Francisco Manuel dos Santos

A Sociedade Francisco Manuel dos Santos (SFMS) foi constituída a 2 de agosto de 1941 por Francisco Manuel dos Santos e os seus filhos, com o objetivo de reunir numa entidade as participações que tinha à data, entre as quais na Jerónimo Martins, empresa de que era sócio desde 1921.
Hoje, a SFMS é uma holding familiar de presença internacional, com investimentos em várias áreas, como distribuição, indústria, agroalimentar, retalho especializado, cuidados de saúde, cidadania e ambiente. Com o apoio dos seus atuais acionistas, herdeiros do fundador, o papel da SFMS é assegurar a continuidade do Grupo com uma visão de futuro.
Com provas dadas ao longo de mais de quatro gerações, a Sociedade Francisco Manuel dos Santos é um Grupo que emprega mais de 90 mil pessoas, fatura cerca de 15 mil milhões de euros e serve diretamente através das suas marcas, mais de 300 milhões de pessoas, em vários países.

A Família Francisco Manuel dos Santos

Em 1792, um imigrante galego abre no centro de Lisboa uma modesta casa de comércio de víveres. A boa reputação que depressa alcança garante-lhe parceiros e clientes de renome e o selo de fornecedor da Casa Real. Mais de um século volvido, os descendentes e colaboradores de Jerónimo Martins manter-se-ão à frente dos destinos da mercearia do Chiado; a decisão de venda resulta das atribulações financeiras exacerbadas pela primeira guerra mundial, provavelmente conjugadas com uma crise de sucessão. Francisco Manuel dos Santos é um dos três sócios que adquirem, em 1921, a Jerónimo Martins, inaugurando assim a dinastia que ainda hoje controla a empresa. O papel fundamental que desempenha nos anais do grupo explica o tributo que lhe é prestado no ato da criação da fundação homónima.
Francisco Manuel dos Santos partilha das origens humildes e nortenhas de Jerónimo Martins. Nasce em 1876 no Safurdão, a 23 km da Guarda. A frequência da escola primária obrigava-o a percorrer diariamente, a pé, metade da distância até à capital de distrito. Dotado de noções limitadas de leitura, escrita e aritmética, Francisco Manuel dos Santos é, porém forçado, pelo deteriorar das economias paternas, a abandonar a aldeia natal; tinha 10 anos, e não mais gozaria de uma educação formal.
Respondendo ao apelo de um merceeiro em busca de um rapaz que soubesse ler, escrever e fazer contas, Francisco Manuel dos Santos é enviado para o Porto. A cidade atravessava então o seu período de crescimento mais pronunciado da época moderna, e o jovem não deixaria de aproveitar as oportunidades que tal facto acarretava. Abandonado o posto de ajudante de mercearia, estabelece-se por conta própria no mesmo ramo de negócio. Bem-sucedido, faz fortuna e desenvolve uma rede de úteis contactos profissionais, tendo travado conhecimento com Elísio Pereira do Vale.
Juntos criam, em 1920, e com Domingos Gomes, os Grandes Armazéns Reunidos, com sede na Invicta. No ano seguinte, a sociedade responde à colocação no mercado da Jerónimo Martins; uma porção substancial do lucro da antiga «tenda» provinha já na altura da sua atividade de armazenista. A reestruturação dos designados Estabelecimentos Jerónimo Martins & Filho é assegurada por um empréstimo do Banco Borges & Irmão, que aceita o «trabalho e honradez» de Francisco Manuel dos Santos como garantia (tendo Domingos Gomes abdicado de quaisquer encargos administrativos, estes eram partilhados apenas com Elísio Pereira do Vale). Eliminando a transação e armazenagem de produtos não alimentares – uma deliberação curiosa, à luz das fracassadas tentativas posteriores de penetração neste domínio – e multiplicando as lojas de retalho, a estratégia adotada propicia uma recuperação lenta mas constante.

O Grupo

O nome de Jerónimo Martins tinha uma longa história na praça alfacinha aquando da transação de 1921. De «tenda», fundada em 1792 por um galego no centro da cidade, fora promovida a mercearia e transferida da Rua Ivens para a Rua Garrett – uma das artérias mais elegantes da capital. Comercializava requintadas marcas nacionais e estrangeiras, incluindo o azeite produzido pelo historiador e político Alexandre Herculano no seu exílio de Vale de Lobos. Com uma clientela de estrato social elevado, recebera de D. Fernando, regente e viúvo de D. Maria II, o selo de fornecedor da Casa Real (distinção óbvia na fachada do estabelecimento, destruída pelo incêndio do Chiado).

Até à morte do fundador, a casa prosperou solidamente; os primeiros apuros financeiros, no final do século XIX, ter-se-iam ficado a dever às indulgências dos herdeiros e, concretamente, às dívidas de jogo acumuladas por um dos filhos de Jerónimo Martins. O leilão de uma parte significativa das posses familiares e a delineação e execução de um esquema de pagamento progressivo aos credores, suportado pela boa reputação de que gozava João António Martins, permitiram a ultrapassagem da crise (tendo este falecido sem deixar descendentes, os antigos empregados mantêm a designação original do estabelecimento). O mesmo não viria a suceder em 1918, altura em que as nefastas consequências económicas da guerra parecem ter-se somado à inexistência de sucessores empenhados na gestão do negócio.

Decorridos três anos, este passa para as mãos de Francisco Manuel dos Santos e dos seus parceiros nos nortenhos Grandes Armazéns Reunidos: Elísio Pereira do Vale e Domingos Gomes. Com o apoio do Banco Borges & Irmão, é criada uma cadeia de lojas de retalho, dinamizada a armazenagem e suprimidas as atividades relacionadas com produtos não alimentares. Calmamente, os Estabelecimentos Jerónimo Martins & Filho recobram a segurança financeira, tornando-se ademais a primeira empresa do país a pagar o 13.º mês de salário aos seus operários, para os quais é construída uma cantina na sede do Chiado.

Em meados da década de 1930, dá-se a expansão para a indústria, traduzida no investimento numa fábrica de margarina, produto escasso e necessário. A Fima (Fábrica Imperial de Margarinas, Lda.) é constituída em sociedade com Silva Torrado, embora a laboração em Sacavém só tenha sido inaugurada em 1944, uma vez que o conflito mundial impediu a chegada do equipamento; arde totalmente pouco depois. A sobrevivência da firma dever-se-á à Unilever, cujas marcas a Jerónimo Martins vendia desde 1926, forçada pela política do condicionamento industrial do Estado Novo a acoplar-se a um agente nativo para se estabelecer em Portugal. Tendo tomado a participação de Silva Torrado, 60 % da partilha da Fima cabe à Jerónimo Martins; o balanço é reposto pela formação da Lever, na qual a Unilever detém uma participação equivalente, e que trata em produtos de limpeza e higiene pessoal. No decénio de 1970, a Olá (gelados) e a Iglo (produtos congelados) serão também incluídas na joint-venture.

A morte de Francisco Manuel dos Santos, em 1953, promove a organização dos legatários dos Santos numa sociedade civil, ao passo que os Vales se instituem numa sociedade imobiliária. Até ao 25 de abril de 1974, o crescimento da Jerónimo Martins é garantido pela opção industrial, que assinala uma segunda etapa (após a fase inaugural de retalhista e armazenista – em que foi o maior armazenista português de produtos alimentares) na sua extensa crónica. Orienta-se então predominantemente para as colónias, sobretudo para Luanda, mau grado o recuo gradual, a partir de 1970, da aposta angolana, explicado pelos inconvenientes dos pagamentos atrasados. Apesar de contactados os movimentos revolucionários e as autoridades portuguesas nas vésperas da proclamação da independência, os seus bens africanos são todavia ocupados e desmantelados.

Em 1967, por morte de seu pai, Alexandre Soares dos Santos assume a responsabilidade pelo negócio da família, no qual a Fima-Lever – resultante da parceria estabelecida em 1949 entre a Jerónimo Martins e a Unilever – tinha então um peso decisivo. Considerando que o futuro passaria obrigatoriamente pela distribuição moderna, aposta na expansão neste setor. A companhia de supermercados Pingo Doce começa a operar em 1980, dois anos depois da sua constituição. Em 1985, estabelece-se uma parceria estratégica com o grupo belga Delhaize “Le Lion”, que entra, assim, na estrutura acionista do Pingo Doce, e dois anos depois, com a aquisição das 15 lojas Pão de Açúcar, a cadeia consolida fortemente a sua posição no retalho alimentar em Portugal.

Em 1988, Jerónimo Martins torna-se o maior acionista do Recheio, que tinha então quatro lojas, entrando, por esta via, no mercado grossista. Nesse mesmo ano, o grande incêndio do Chiado destrói a histórica loja da Rua Garrett e os escritórios centrais de Jerónimo Martins. Em 1989, a FIMA adquire a Victor Guedes, empresa produtora do azeite Gallo, e Jerónimo Martins compra os restantes 40% da cadeia Recheio. Também nesse ano, a Sociedade Francisco Manuel dos Santos adquire as participações dos restantes acionistas dos Estabelecimentos Jerónimo Martins & Filho, e, para financiar este grande investimento, faz admitir a empresa à cotação na Bolsa de Valores de Lisboa.

Em 1990, ano da constituição da Hussel, cadeia especializada em chocolates e guloseimas, a compra do Arminho, um cash & carry de referência localizado em Braga, veio permitir ao Recheio dar um salto de dimensão e acelerar o crescimento. Em 1992, no ano em que celebra dois séculos de história, a Jerónimo Martins assina o contrato de joint venture com a Ahold, que substituiu a Delhaize como parceiro estratégico no Pingo Doce, e que se mantém até hoje. A década de 90 foi sobretudo marcada pelo início da internacionalização da Jerónimo Martins. Primeiro para a Polónia – onde, em 1995, adquiriu uma cadeia de 48 cash & carries que operavam sob a marca Eurocash – e depois para o Brasil, com a compra dos Supermercados Sé. A Jerónimo Martins viria, em 2002, a abandonar o Brasil, dedicando-se, no plano internacional, a construir a liderança de mercado da Biedronka, a cadeia de lojas discount que começara a ser desenvolvida em 1995.

Em 2005, a Bestfoods Portugal é integrada na FIMA e, dois anos depois, fecha-se o acordo para a compra da Plus em Portugal e na Polónia, onde se abre a loja Biedronka número 1000. Na sequência daquela aquisição, logo no ano a seguir, o Pingo Doce opera um rebranding e, em 2009, incorpora na sua insígnia os hipermercados Feira Nova. Em 2011, a Colômbia é anunciada como o novo destino internacional de investimento da Jerónimo Martins e, no dia 13 de março de 2013, abriram-se na região do Eixo Cafeteiro as primeiras lojas e o primeiro centro de distribuição no país.

Ao longo da sua história, a ambição e a capacidade para resistir e superar as dificuldades tornaram-se valores intrínsecos ao Grupo. Em 2009, é criada pela Sociedade Francisco Manuel dos Santos uma Fundação com o mesmo nome, dedicada a missão de fortalecer a sociedade civil em Portugal pela promoção do conhecimento dos problemas, desafios e oportunidades que se colocam ao país e aos portugueses. Em 2015, com a concessão do Oceanário de Lisboa, a Sociedade reforça o seu pilar de responsabilidade ambiental, tendo lançado em 2016 a Fundação Oceano Azul, uma instituição exclusivamente dedicada à sustentabilidade dos Oceanos.

Crescimento, sustentabilidade e cidadania continuarão a ser, no futuro, as grandes linhas orientadoras do investimento e da ação.

O Fundador

O século XXI será o século dos oceanos.